conversando com irene

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A MORTE DA MORAL

A humanidade lenta caminha
Entre trancos e barrancos propensa
A rasgar a roupa da moral tensa
Deixá-la louca, desnuda, sozinha .

No impulso mórbido, quase incontido
A moral tesa e insana, vai escrever
Nas infindas pregas de seu vestido
As marcas profundas dos desvanecer.

Entre visões de já perdidas eras
A vil humanidade por fim espera
Outras promessas para as novas lidas.

De utopias, sonhos e quimeras
Que encham o vazio de suas vidas
Resurja a moral desvanecida.
(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 17/06/2011)
Publicado no Recanto das Letras em 17/06/2011
Código do texto: T3040890

quinta-feira, 16 de junho de 2011

DEVANEIO

Ah, quem me dera!...
Amar você o tempo inteiro
E descansar de amar em seus braços
Num repouso amigo e sereno e assim
Em um sonho pequeno me enrolar em caracóis
Como uma nuvem nos lindos fios de seus cabelos
Amanhecer em suas entranhas
Desaguando em seus sorrisos de felicidade...

Assoprar meus desejos em seu peito nu, dourado de sol
E atrelada à estrutura de corpo esguio
Me propor ao desafio de lhe fazer vibrar
Sonar de amor, ... canção de amar...

Ah, quem me dera!...
Me aninhar à sua essencia
E misturar nossa existencia de tal forma
Que ninguém identificasse
Que sou eu quem é você...
E nesse bem querer e bem se entregar

Exalar nosso aroma etéreo
Fluir nas partículas de sua via láctea
E resplandecer no brilho desse seu olhar
Sou a menina estrela dos seus olhos
E até enquanto dormir o sono da satisfação
Em você os sonhos de amor sonhar
Bailando nas fibras de seu coração...
(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 16/06/2011)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A TURMA DO FUNIL – PARTE I

ENTERRANDO TARTARUGA...
Era uma tarde de sol e brisa fresca... Os meninos riam entre si em risos cúmplices, indo e vindo como formigas carpideiras no percurso que separava o quintal de minha casa e o bambuzal no morro ao lado. Nesse ir e vir, volta e meia aparecia um menino na porta da cozinha e dizia à mamãe:
_ Dona Irene, empresta a cavadeira?
E ela, sem perguntar “pra quê”, emprestava a ferramenta.
Pouco depois, outro deles vem e pede, novamente:
_ Dona Irene, empresta a enxada?
Mamãe, mais uma vez empresta e o pirralho some sem explicações.
Assim se repetiu outras tantas vezes e lá se ia cada vez, enxadão, balde, carrinho de mão, picareta,... e mamãe emprestando tudo sem se dar conta de qual o motivo deles precisarem daquilo tudo. E eles trabalhavam e riam entre si lá atrás do bambuzal, entre os pés de café do Sr. Gildo.
Até que em meio aos risos, ouve-se um barulho diferente... Um dos meninos, Marcos, o Tartaruga, chorando um choro abafado e gritando apavorado entre o riso dos demais:
_ Aiiiiiiiii!!!...Socorro! ... Socoooooooooorro!!!... Me tira daquiiiii!!!! Ahhhh... Socorrooooooo!!!
Dona Etelvina, assusta-se ouvindo o pedido de socorro do filho e corre para ver o que estava acontecendo e, eis a grande e inusitada descoberta.
_ Meu Deus! O que vocês fizeram com meu filho? !!!
Qual não foi o susto daquela mãe ao ver o filho ali, enterrado até o pescoço, só com a cabeça fora da terra, vermelho e desesperado.. Nesse momento espirrou moleque pra todo lado, não sobrou um pra contar a história e nem pra desenterrar o Tartaruga. Diante do escândalo de Dona Etelvina, as mães se aglomeraram em volta do menino enterrado, discutindo e esbravejando entre si, cada uma tentando defender seu pestinha e se acusando mutuamente.
Dona Dorinha diz:
_ Agora vou ter que batê no meu filho por causa desses moleque dos infernu...
Mamãe fala:
_ Eu não sabia pra que eles queriam as ferramenta...
Dona Mirtes, por sua vez afirma:
_ Se eu tivesse visto, meu Renatinho não estaria no meio dessa molecada desocupada...
Dona Cici alega:
_ Meus filho num falaro nada... Ai, meu Deus, o Zé num pode sabê disso...
E o coitado do Tartaruga, por sua vez, apenas balbuciava, agora:
_ Socooorro... me tira daquiiiiii! Aiiiii... socooorrr...
Mirinha e minhas irmãs vendo que as mães permaneceriam naquela discussão em defesa de seus pestinhas postos no mundo, começaram a desenterrar o pobre do Tartaruga que já não aguentava mais o peso da terra sobre seu corpo.
E eu olhava de longe aquela cena engraçada e admirava os meninos com uma inveja incontida: “Como eles têm atitude e senso de humor!!!”
(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 15/06/2011)