conversando com irene

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ah um tapinha não dói! ... Um tapinha não dói!...

20/12/201

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    Querido(a) leitor(a), não me condene pelo título dessa minha crônica, ele é frase refrão de um conhecido Funk, mas isso não é motivo para que você, que talvez  não aprecia essa modalidade de música, não vá ler-me. Principalmente porque o assunto aqui é outro bem diferente...
     A letra da música fala de um tapinha como um estímulo sexual, e eu pretendo falar do tapinha que nossos  representantes em Brasília têm se ocupado...  Há tapas muito mais ofensivos que não são vistos, porque nossos ilustres representantes não se ocupam deles... Pelas ruas há muitos traficantes ajudando pessoas a darem um tapinha  na heroína, craque ou algo mais moderno... Há tantas mulheres sofrendo agressões físicas seja de seus parceiros, ou mesmo na rua com maníacos violentadores.  Há o tapa que a sociedade dá àqueles que não têm nem como se defender da miséria, do descaso,  da indiferença...
     Há tanta coisa importante para nossos legisladores verem, e eles querem se meter na forma como nós pais, mães, educamos nossos filhos... Lei contra a pedofilia e violência contra o menos (criança e adolescente) já existem e estão previstos no Estatuto da  Infância... Não há necessidade de  ocuparem de seus preciosos votos para aprovarem um projeto de lei que proíbe pai ou mãe de dar um tapinha em seu filho quando sente que a palavra não foi suficiente...
     Nem venham me dizer que sou a favor de surrar filhos, mas exercer sobre eles a correção e se para isso tiver sim que recorrer a umas palmadinhas, garanto que a criança não irá morrer, mas nossos preocupados legisladores, por falta de serviço (veja que fui irônica aqui), querem tirar o nosso pátrio poder e autoridade sobre nossos filhos... E como resultado, crescem filhos sem nenhum respeito pelos pais, cria-se delinquentes juvenis, jovens sem limites, que se tornam índices estatísticos para o  Estado,... e consequentemente o tapinha que eles não levaram na infância se transformam em agressões da polícia sobre eles como forma de coibir suas ações libertinas e desenfreadas...
     Não estou aqui defendendo a bandeira da palmada, mas àquela que dá aos pais o direito de decisão sobre a educação que devem efetuar junto e sobre seus filhos... O nosso legislativo, deve se priorizar em fazer leis que tragam benefícios para a sociedade, que se revertam em progresso sócio, cultural, econômico da nação, e acima de tudo que façam valer a soberania dos direitos dos cidadãos(ãs), não se intrometer no meio da família e decidir pelos pais o que fazer com seus filhos...
     Meu menino mais novo, desde pequenino, sofria de problemas estomacais, e deveria se alimentar em período curtos para não sentir dor, e  sempre foi pirracento demais. Quando tinha que sair com ele  sempre levava frutas, biscoitos, suco, iogurte, de tudo o que ele gostava para ir variando e ele não passar  muito tempo sem se alimentar... Certo dia, voltávamos  de uma consulta médica e ele estava de barriguinha cheia, e logo seria hora de almoçar... Ele viu o carrinho de picolé e fez uma pirraça descomunal, e eu disse "não"...
     Uma senhora vendo aquilo, passou por cima do meu "não" e deu o picolé a ele. Logo à frente, ele jogou pouco mais da metade do picolé fora, porque não aguentou tudo... Ali mesmo eu tirei a sandália e dei umas três nele e cheguei em casa e o coloquei de castigo, onde chorou até dormir... Quando acordou, eu conversei com ele sério, como uma mãe deve falar a seu filhinho de três anos que faz pirraça... Daquele dia em diante ele não repetiu tal ato...
     O que aquela mulher fez foi cheio das boas vontades, das boas intenções,... mas diz um velho adágio popular que “de boas intençôes o inferno está cheio”. Ela passou por cima de minha autoridade materna e eu não admito isso...
     Criei meus filhos sozinha e não serão meus amigos legisladores que vão determinar a forma como vou educá-los... Eles ( os legisladores) deviam olhar mais é para a corrupção deslavada que acomete toda a nação, os crimes de colarinho branco,  as verbas que são desviadas, os privilégios dos bancários...
     Papai falava que “quem dá o pão dá o ensino”, e ensina à seu modo,... aquilo que julga ser o melhor a seus rebentos. E, definitivamente, quem dá o pão a meus filhos, sou eu,... e eu não sou obrigada a aceitar que terceiros decidam por mim na educação deles...
     Vereadores, Deputados Estaduais e Federais, Senadores... por favor, né!!! Minha casa e minha família não é “a casa da mãe Juana, onde todo mundo manda”... Procurem ser competentes naquilo que é sua função e deixem os pais cuidarem de suas famílias...Afinal, vivemos em um país democrático (ou não???) em que os pais deveriam ter liberdade de ação sobre as decisões em seu lar, a educação dos filhos deve ser de (in)competência dos pais e não do Estado, que já é (in)competente em muitas coisas...

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 20/12/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 20/12/2011
Reeditado em 20/12/2011
Código do texto: T3397920

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nú artístico

                             

Ele olha para a alvura de sua tela
E a ama assim tão pura e singela
Como na rama uma rosa virginal
Desnuda das noções de bem e mal...

Acaricia como quem escreve um poema
E deita sobre ela a pena e seu dilema
Em sinuosas ou retas linhas compulsivas
Carregadas de desejos e ânsias lascivas...

E marca a tela nua com seus o sonhos
E crava em sua matéria seus desenhos
Penetra sua textura com suas cores
A impregna de sua falta de pudores

O ritmo, a força em movimento incisivos
Nas formas protuberantes, no impreciso
No abstrato sonho do pintor que aos poucos
Tatuando  em sua tela seu amor tão louco...

Deitada entre objetos de porcelana
Uma linda e sensual figura humana
Com flores espalhadas em seu peito
E languidamente solta em seu leito

Mentindo ter feito um nú artístico
Assina e põe um nome característico
Mas escondido o pintor se inflama
Plasmou, na tela, a imagem de quem ama...

Irene Cristina dos Santos Costa -Nina Costa, 17/12/2011

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               Inspirado no maravilhoso poema recitado
             "PAIXÃO OBJETO DE DESEJO" de Jasper Carvalho
  http://www.recantodasletras.com.br/audios/poesias/45605
 
Enviado por Nina Costa em 18/12/2011
Reeditado em 19/12/2011
Código do texto: T3394799

sábado, 3 de dezembro de 2011

LOTAÇÃO 348

        (imagem do Google)

Estávamos na lotação 348, sentido Riocentro-Castelo via Linha Amarela-Av. Brasil, ônibus superlotado de pessoas que, por certo, voltavam de um dia fustigante de trabalho. Uns dormiam com a cabeça pendendo para o lado, outros ouviam música em seu celular, os que estavam em pé, se acotovelavam em busca de um espaço inexistente e o desconforto crescente e o cansaço aparece estampado no rosto dos passageiros.
Em um determinado ponto do percurso, um passageiro grita para o motorista: "Parceiro, dá um guento aí que a cerveja fez efeito, deixa a porta aberta que eu já volto". E o motorista faz o que o rapaz pede, e ouve-se um crescente de revolta entre os demais pasageiros, em um eco de insatisfação: "Poxa, pra pegar a gente que trabalhou o dia todo o motorista tem pressa, porque está trabalhando, mas pra esperar o cara mijar por causa da cerveja não tem pressa não."
O motorista por sua vez retruca com os demais ocupantes da lotação, revoltados, dizendo que "se fosse algum deles que pedisse de outra vez, não iria parar".
Agora, alguém pode até me perguntar porque estou falando de um assunto tão banal e corriqueiro, que ocorre talvez, diariamente no movimentado trânsito carioca e que, por certo passar despercebido de muitos... Isso  chamou a atenção desta capixaba em visita ao Rio, principalmente para ressaltar um aspecto muito singular de nossa sociedade: a corporatização.
Geralmente criticamos nossos políticos porque, no exercício daquela que deveria ser sua função (gerir com dignidade o Município, Estado, Nação), atuam corruptamente, favorecendo a si e a seus pares, ignorando os direitos dos cidadãos comuns que os elegeram. Mas observei, em menor escala, que a mesma coisa fez esse motorista de ônibus em relação ao "parceiro" que precisava aliviar sua necessidade biológica em uma via pública. O motorista não pensou nos demais passageiros, cansados que voltavam de um dia fustigante de trabalho, mas quis favorecer ao parceiro que havia, em plena quarta feira, lotado a cara de cerveja que já começara a fazer efeito. E o motorista ainda tentou justificar seu ato corporativo.
A lei não diz que é proibido urinar em lugares públicos, sendo passível de prisão quem o faz? A lei responsabilidade fiscal, por exemplo, não diz também que desviar verbas é crime, passível a punição?... Qual é mais criminoso: o que faz xixi em via pública ou o que joga "merda" no ventilador da política nacional com tanta corrupção e falcatruas? Em maior ou menor escala, as atitudes são incorretas e como dizia meu velho pai: "é de pequeno que se torce o pepino" e como exigir que nossos governantes sejam sinônimos de honestidade, incorruptividade, se nas pequenas coisas, muitas vezes temos atitudes incorretas: parar pra o cara mijar na rua; não devolver aquele troco recebido à mais; persistir na típica ideia de "levar vantagem" sobre alguém ou dar um "jeitinho" pra se prevalecer em determinada situação. Penso, que a moralização começa em nós, a quebra de velhos paradigmas começa com a quebra de pequenas atitudes corriqueiras como esta que presenciei na lotação 348...

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 02/09/2011
Enviado por Nina Costa em 02/09/2011
Código do texto: T3196071

AD...VERSO


É cedo ainda
Ou tarde demais?
Não sei se lhe faço guerra
Ou busco a nossa paz
Nossa amizade,
Nossos desejos,
Nossa loucura
Fantasias e doces beijos...
Se é cedo ainda
Ou tarde demais,
O relógio do tempo
Não me satisfaz
Quero seu choro
Sua lágrima de crocodilo
Suas promessas vãs
Nossos idílios
Quero a esquina de teu verso
Ainda que adverso ao meu amor
Se é cedo ou tarde...
Pouco me importa
Ainda me arde o teu sabor
Feche essa porta
E "vamos fazer poemas"...
Irene Cristina dos Santos Costa Nina Costa, 31/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 31/08/2011
Reeditado em 05/09/2011
Código do texto: T3192221

É POESIA


É poesia
O sonho acordado
O  sol apaixonado pelo dia
O flerte com a lua e sua alegria
Encontros furtivos, amores imprecisos
Sim, é poesia o entrelaçar
A sede nos olhos,
O beijo no olhar
É poesia se enamorar...
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 29/08/2011
Código do texto: T3188612

A ÚNICA RESPOSTA


Onde repousarei a carcaça cansada de minhas guerras?
E depositarei os restos de minhas vanglórias?
Sou inferior aos vermezinhos de Jacó
Sou o mais insignificante dos filhos de Eva...

Meus sonhos são sonhos de mero mortal
E sempre  relutando entre bem e mal
Minha natureza pecadora e passional pende
Às mais torpes paixões e estertores...

Onde poderei deixar quedar o corpo pesado?
E poderei enterrar meus ossos alquebrados?
Deixar putrefazer a minha carne morta?
Porque eu sei que esse corpo é perecível
E a matéria da qual eu sou formado não é eterna
E a terra da qual sou pó há de acolher-me um dia.

Descansará no céu a alma etérea?
Será aos pés de DEUS lugar eterno?
Ou baixará ao último dos infernos?
Quem pode assegurar-me tal destino?

Será Senhor, que existe uma luz?
Ao fim nos resta apenas um sacrifício
A única  resposta é JESUS...

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 29/08/2011
Enviado por Nina Costa em 29/08/2011
Reeditado em 03/09/2011
Código do texto: T3188110

AH! EU NÃO POSSO!...


Ah! Eu não posso!
Não tenho  o poder de vencer as suas dores
E nem prevalecer aos seus temores
Ao seu medo de se arriscar a ser feliz.
Dá-me seu corpo
Seu desejo
Seu extremo gozo
Mas seu coração nunca foi meu
Seu sentimento é para mim, como um sopro
E eu queria ser seu furacão
Sua Irene, seu tufão
Deixar bem revirado esse seu interior
Depois do amor
Colocar tudo de mim nos lugares secretos do seu coração
Mas eu não posso...
Não tenho o poder de vencer as suas dores
E nem de prevalecer aos seus temores
Por isso,...Enquanto a lava desse amor jorrar em mim
Escorrendo nas artérias do sentimento
Contento-me em tentar fazer você feliz...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 29/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 29/08/2011
Código do texto: T3188070

GRITOS DO SILENCIO


O vazio do silencio ecoa no vento
E enche o pensamento que voa
No oco do tempo e do senso
Loucura
Insanidade
Mistura de loucas verdades
Um resquício de ciência
Consciência de fé e de poder
Gritos do silencio no escuro da noite
“Não quero enlouquecer”
Camisa de Vênus ou de força?
Fugacidade ou prazer?
O vazio do silencio ecoa
Em mim
Em você
Voamos no vento e nos perdemos no tempo
Vazios de senso e de querer
Gritos de insanas verdades perturbam meu ser
Loucura
Insanidade
“Não quero enlouquecer”
Preciso de você
Consciência
Embora não saiba nem pra quê...
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 26/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 26/08/2011
Código do texto: T3184361

O AMOR?


                            O amor
                          Faz a gente
                    Agir tresloucadamente
                    Depois se arrepender...
                       E se arrepender
                    de ter se arrependido
             O amor,... O amor faz a gente perder o juízo.
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 25/08/2011
Código do texto: T3181485

CORAÇÃO


O coração anda disposto a se arriscar,
Porque descobriu que amar
É novidade
É sol entrando na fresta da janela, pra despertar a alegria
É canto de pássaros no mistério do alvorecer
É vida em flor que sesabrocha em abraços e carinhos
O coração, não quer gaiolas d'ouro mais não
E bicho solto, passeia sobre outros ninhos
Quer conhecer o horizonte
Quer abrir suas asas e se expandir na liberdade do amor supremo
E assim, sereno, no peito da pessoa amada descansar
Sonhar de amor e enfim amar
O coração traz em si a primavera
E exala o perfume do cio na terra, no solo fétil da emoção
Porque descobriu que amar
É novidade
E se faz novo, o coração.
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 23/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 23/08/2011
Código do texto: T3177885

TIMIDEZ


Quando ouço  passos
Fica  em descompassos
Meu coração
E sem olhar, sei que é você,
Vindo, sorrindo, em minha direção
Tento fingir,
Até disfarço,
Tento esconder a revolução
Mas meio tímida, bem de soslaio
Vejo vem vindo, quase desmaio
De emoção
Amor febril e inocente
Deixa em sobressaltos
Minha emoção
Tento fugir, tento esconder
Mas não tem jeito, sou tua menina
Eu simplesmente amo você
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 18/08/2011
Reeditado em 05/09/2011
Código do texto: T3168332

ESTOU EM TI


Estou em ti como em mim estás
Nas coisas que escreves,  em seu poetizar
No desassossego, no peito apertado
Em teu som em sussurros no ouvido
Que ecoa em gemidos:  te amo, meu par!
Estou no teu medo, em  tua alegria
Em todo teu dia desde o despertar.

Escuta-me dentro do teu coração
Te amando, e chamando : vem logo me amar
No ritmo e no tom de  tua respiração.
Quando o vento tocar tua pele sou eu
Que acaricio teu corpo que é  meu.

Estou em ti nos desejos profundos
No gozo que sentes , em todo  teu mundo
Estou em ti, como estás em mim
No jeito que sabes me fazer sonhar
No desejo distante, a todo instante

No jeito de  a mim tu  te entregares
E me capturares no som de tua voz
Provocando em mim, saudades de nós
Estou em ti como em mim estás ...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 18/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 18/08/2011
Reeditado em 19/08/2011
Código do texto: T3166841

DECLARAÇÃO DE AMOR ETERNO


(Em homenagem ao lindo amor de minha mãe por meu pai,um amor forte e sublime que nem a morte apagou)

Depois de tantos caminhos, seguindo juntos
Depois de tantas noites que enamorados,
Abraçados, dormimos juntos
Depois de tantos planos que encantados pela vida,
Tecemos juntos
Estou bem do Teu lado,
E ainda apaixonada
Te amo muito...

Amado meu
Depois de tantos anos que convivemos
Depois de tantas juras que nos fizemos
Depois de tantos  mares que navegamos
E todas as tempestade que enfrentamos
Sigo te amando tanto e por toda vida
E sempre que te vejo,
E sempre a cada beijo
Te amo mais ainda

Amado meu
Depois de  ao teu lado ter envelhecido
Depois que o tempo  te levou de mim no adeus
Depois de a morte ter-nos os corpos desunido
Encontro teu quente amor fluindo no meu
E encontro na lembrança e na saudade
Sentindo. amado meu,
Que te amo ainda...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 16/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 16/08/2011
Reeditado em 16/08/2011
Código do texto: T3163292

AMOR POESIA


Não rasgue os versos
Que nas noites de insônia
Escreveu pra mim
Não minta em palavras resolutas
Dizendo que o  amor
chegou ao fim
Não quebre as promessas
Feitas nos momentos de amor tão lindo
Nas horas em que sorrindo, lembra de nós
Porque o seu lirismo entranhado, a sua voz
No âmago do meu corpo inteiro, ressoa
E o toque de suas mãos me faz poesia
Ah esse amor  é verdadeiro...
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 16/08/2011


             Linda interação do amigo poeta Nasser Queiroga

                       Quantos versos rasgasdos,
                       Quantas folhas arrancadas,
                         Em noites acordadas,muitvadas pela dor!
                     Em um coração transpassado,
                     Que aos poucos exvazia-se,
                        Já sem vê o meu amor!
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 16/08/2011
Reeditado em 25/09/2011
Código do texto: T3162822

PAI


                                PAI:

                 DEUS QUE SE FEZ HOMEM

      E ADOTOU SEU NOME PRA SE DISFARÇAR.

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 13/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 13/08/2011
Reeditado em 13/08/2011
Código do texto: T3157172

É QUENTE


                 "AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER..."
                       
                          MAS EU PRECISO VER?
                       
                            AI COMO É QUENT

ESTAÇÕES DO AMOR


Amor
Coloca-me em tua caixinha de segredos
E de poesia
E faça-me o teu desejo,
Alimento,
luz,
Magia...
Passeie teus olhos sobre mim
Em tuas manhãs de primavera
Sou teu jardim de fadas e quimeras!
Degusta-me o sabor doce e cítrico nas tardes de outono
Sou fruto no ponto a saciar teu paladar!
Acenda-me em teu aconchego  nas noites de inverno
Sou chama que se inflama em tua combustão!
Refresque-me em tuas fontes nos dias de verão
Sou tua essencia fluidica ao arrebol!
sou tuas estações,
tua catherina,
sou tua alegria,
 tua menina...
Decore-me em tua pele como flor a dar-te alegria
Ou como uma serpente a devorar teu nexo.
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 12/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 12/08/2011
Reeditado em 12/08/2011
Código do texto: T3155008

INOCENTE


Ninguém me disse que amar é complicado
que requer entrega e desprendimento
que esse sentimento
cresce e se avulta
e pega de surpresa, assim sem avisar
e tira os pés do chão e faz sonhar
e leva à loucura quem não sabe amar...

Não me avisaram
que o amor é quente e frio
é como um rio em constante desaguar
é movimento e calmaria
que dia após dia
nos faz delirar e pensar que enlouqueceu de amar...

Não me prepararam para esse turbilhão de emoções
para essa movediça das razões
do peito a arfar
da pele a arrepiar
do corpo em desafios de amar...

Mas também, ninguém lembrou de informar
que amor, que se doar vale a pena
e que o bom de tudo é se encontrar
assim de alma serena nos braços de amar...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 12/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 12/08/2011
Reeditado em 12/08/2011
Código do texto: T3155000

FLOR


Há uma flor desabrochando em mim, amor
A qual haja de colher pra se alegrar

Entre a suas vestes deitada ao peito
Roçando a sua pele há de marcar
O cheiro exalando em suas narinas,
O gosto dessa rosa a desabrochar
O toque de suas mãos entre suas pétalas
A flor, de amor, vai se despetalar
E espalhar amor sobre seu peito
E perfumar seu corpo de tal jeito
Que mesmo sem querer irá de lembrar:

"Sorvi seu mel tão desejado, flor amada
Deliciei-me em seu  nectar sagrado,
No quente  do jardim da minha cama
E as folhas-roupas espalhadas pelo chão"
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 10/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 10/08/2011
Reeditado em 14/08/2011
Código do texto: T3152121

BENDITA


( texto em homenagem aos meus filhos, alegria da minha vida)

Bendita seja a tua alegria
Teu sorriso farto e fácil de canto a canto da boca
Com todos os dentes e todas as covinhas no rosto
Com todo o sol trazido no olhar
Com todo o vento  a ventilar em teus sonhos...
Bendita a tua alma solta e expansiva exalando luz e cor
Nas horas que desperta o dia com o brilho iluminando a face
Brincando de contagiar a todos de  pueril felicidade
Benditos teus vestígios pela casa
 As migalhinhas e farelos de fantasias
Que deixas espalhadas pelo chão
As penas de  tuas asas no carpete da sala
Os pedacinhos de nuvens  grudadas em teu colchão
Bendita a tua existência a festejar a vida
Bendita, na verdade, sou eu por ti.
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 09/08/2011

Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 09/08/2011
Reeditado em 01/10/2011
Código do texto: T3150435

SE TEM JEITO...


Não é possível...
Que além dos montes que me separam de ti
Hajam segredos escondidos em cavernas subterrâneas
Nos rios das artérias que deságuam em seu coração?
São os montes de Vênus ou de Marte
São castelos de areia por toda parte
São texturas de sonhos e ilusão.
Se tem jeito...
Me aninhe então nesse teu peito
Me revele o que queres que eu  faça
Me ensine a te amar mais,...  e direito...
Antes que o cristal da emoção se quebre
E o meu  forte desejo se negue a te desejar
E a nascente se seque em minha alma
E eu, então, pura e simplesmente
Desista d’ em teus braços de amor me entregar.
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina costa, 08/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 08/08/2011
Reeditado em 08/08/2011
Código do texto: T3147558

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O VAZIO


 "No início era o verbo  e o verbo era Deus [...] e Deus é amor"
                             e por ser amor, se deu ...

Quando o amor se retirou
E a poesia não tinha mais o amor para exaltar...

Ficaram frios todos os poemas
Vazias todas as emoções e sentimentos
Porque já não havia amor para amar.

Quando se secaram todas as fontes da ilusão
E os rios da paixão não corriam mais para o mar
Uma ânsia louca pulou dentro do  peito
E aos quatro cantos pôs-se a gritar:

Gritando em desespero para o céu,
Em desespero gritando para o luar
Às estrelas nuas de seu brilho
Às  pessoas sem ternura pra se dar...

Havia escuridão, dor e tristeza
Porque o mundo não sabia mais amar
Mas há quem tenha uma caixa de segredos
Escondida, como relíquia  no fundo de um olhar
Contendo uma verdade absoluta:

A mágica do amor é se doar...

Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 30/10/2011
Enviado ao Recanto das Letras em 31/10/2011

Código do texto: T3309428

Rapunzel depois do câncer


(não é triste, é de superação)


Numa manhã linda de sol, cheia de luz e
calor, após a visita da madrasta,  ela, já sozinha, percebeu que seus
lindos cabelos dourados estavam opacos, sem brilho, sem vida...
Desmanchou
as longas tranças pensando que precisava seus belos cabelos lavar,
deixá-los secar no vento, e esperar sabe-se que tempo, o seu príncipe
chegar.
Lavando e penteando caiu-lhe na mão alguns fios e ela teceu
uma rede pro seu príncipe deitar, caindo-lhe mais um pouco, fez dos fios
um tapete para o seu príncipe pisar, caindo-lhe então o resto daquelas
lindas madeixas, fez Rapunzel uma corda forte e resistente para ao seu
príncipe alçar quando ele assim chegasse e dissesse lá debaixo:
_ Rapunzel, minha  adorada! Jogue as tranças, meu amor!
E
assim passou o tempo, sua madrasta malvada trazia-lhe um coquetel, pra
renovar suas forças, devolver sua saúde, e fazê-la novamente cabeluda
igual sansão porque  madrasta malvada, tinha interesse naqueles fios tão
mágicos, que não a deixavam envelhecer...
E Rapunzel carequinha, a
cabeça reluzente e branca como o luar... Numa tarde ela cantava o seu
canto de amor: “Ah! Rapunzel, prisioneira morando no céu/ Quem virá em
um lindo corcel! Pra  salvar Rapunzel...”
Eis que lá embaixo a voz de um homem grita:
_
Ôh mulher cabeluda, jogas tranças que eu quero subir... E ela sem outra
opção, lança a corda feita de seus últimos fios... Ele, se esgueirando
trepa  na janela, com certa dificuldade, muito gordo e vadio, depara-se
com a careca reluzente de Rapunzel. Vendo ela desse jeito, achou ter
errado de castelo ou de torre, talvez. Cai assustado lá embaixo, monta
assim meio alucinado em seu pangaré, burro xucro e vai embora
apressado...
Rapunzel não chorou, não se lamentou, ficou foi mais
decidida: "Vou mudar essa história, vou é lutar pela vida..."Pegou a
corda que fizera amarrou no pé da cama e a outra ponta lançou pela
janela, descendo em seguida por ela, seguiu por longos caminhos até o
hospital do câncer, se tratou, foi bem tratada, e depois das quimeos e
radioterapias, Rapunzel ficou curada,  seus cabelos voltaram a crescer e
hoje todos à veem nas revistas, nas paradas fazendo propaganda de
shampoo.... Te mete com Rapunzel!! (rsrsrs)

Enviado por Nina Costa  ao Recanto das Letras em 24/10/2011


Código do texto: T3294961

http://www.recantodasletras.com.br/autores/ninamimosul

Novo dia

Hoje é um novo dia
É momento de recomeçar
Novos planos, novos sonhos, novas alegrias
Deixar pra trás o que passou
E olhar para frente
Tenho em minha mente
O desejo de prevalecer
Sobre mares bravios, sobre tempestades procelosas
E depois do vendaval
Saber que eu sou capaz!
Não tenho medo de sonhar de novo
Não tenho medo de me dar demais
Meu caminho está à minha frente
Sou andante,  não sou ocaso mas nascente
Em mim estará  sempre o amanhecer!...

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 27/10/2011


Enviado por Nina  ao Recanto das Letras em 27/10/2011

Código do texto: T3300514

segunda-feira, 24 de outubro de 2011



Rapunzel depois do câncer (não é triste, é de superação)

Numa manhã linda de sol, cheia de luz e
calor, após a visita da madrasta,  ela, já sozinha, percebeu que seus
lindos cabelos dourados estavam opacos, sem brilho, sem vida...
Desmanchou
as longas tranças pensando que precisava seus belos cabelos lavar,
deixá-los secar no vento, e esperar sabe-se que tempo, o seu príncipe
chegar.
Lavando e penteando caiu-lhe na mão alguns fios e ela teceu
uma rede pro seu príncipe deitar, caindo-lhe mais um pouco, fez dos fios
um tapete para o seu príncipe pisar, caindo-lhe então o resto daquelas
lindas madeixas, fez Rapunzel uma corda forte e resistente para ao seu
príncipe alçar quando ele assim chegasse e dissesse lá debaixo:
_ Rapunzel, minha  adorada! Jogue as tranças, meu amor!
E assim passou o tempo, sua madrasta malvada trazia-lhe um coquetel, pra
renovar suas forças, devolver sua saúde, e fazê-la novamente cabeluda
igual sansão porque  madrasta malvada, tinha interesse naqueles fios tão
mágicos, que não a deixavam envelhecer...
E Rapunzel carequinha, a
cabeça reluzente e branca como o luar... Numa tarde ela cantava o seu
canto de amor: “Ah! Rapunzel, prisioneira morando no céu/ Quem virá em
um lindo corcel! Pra  salvar Rapunzel...”
Eis que lá embaixo a voz de um homem grita:
_
Ôh mulher cabeluda, jogas tranças que eu quero subir... E ela sem outra
opção, lança a corda feita de seus últimos fios... Ele, se esgueirando
trepa  na janela, com certa dificuldade, muito gordo e vadio, depara-se
com a careca reluzente de Rapunzel. Vendo ela desse jeito, achou ter
errado de castelo ou de torre, talvez. Cai assustado lá embaixo, monta
assim meio alucinado em seu pangaré, burro xucro e vai embora
apressado...
Rapunzel não chorou, não se lamentou, ficou foi mais
decidida: "Vou mudar essa história, vou é lutar pela vida..."Pegou a
corda que fizera amarrou no pé da cama e a outra ponta lançou pela
janela, descendo em seguida por ela, seguiu por longos caminhos até o
hospital do câncer, se tratou, foi bem tratada, e depois das quimeos e
radioterapias, Rapunzel ficou curada,  seus cabelos voltaram a crescer e
hoje todos à veem nas revistas, nas paradas fazendo propaganda de
shampoo.... Te mete com Rapunzel!! (rsrsrs)

Enviado por Nina Costa  ao Recanto das Letras em 24/10/2011


Código do texto: T3294961

http://www.recantodasletras.com.br/autores/ninamimosul

domingo, 7 de agosto de 2011

EM DESALINHO

Ainda assim pela manhã
Entre olhares nos amamos
Compreendidos no silencio do desejo,
A pele  a arrepiar com o doce e prolongado beijo.

Seu corpo é o mar que eu preciso
Pra me afogar nesse sorriso apaixonado
E me vestir  em sua pele,  me aquecer do seu calor
Feito criança a descobrir os seus pecados.

Mergulho então em seu suor
A  saciar em seu sabor,
Com gosto de amor sagrado.

Então me visto de você
Enfim eu posso entender os seus mistérios
Na linda flor dos seus delírios
A deslizar sobre seu corpo em jogo etéreo.

E esse instante de prazer
Você em mim eu em você,  somos magia
A transbordar dentro de nós
Em meio aos nossos lençóis em desalinho.
Você em mim eu em você
A desvendar nosso querer e  incendiar o nosso ninho.
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 07/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 07/08/2011
Reeditado em 07/08/2011
Código do texto: T3145538

sábado, 6 de agosto de 2011

QUARTO DE BRINQUEDOS

 

A menina que vivia no quarto de brinquedos
Aprendeu a ter medo de brincar de faz de conta
No dia em que eu cresci

Descobriu que entre seus risos e lágrimas
Tudo e nada não  é válido senão houver uma lógica explicação
Só porque eu cresci

Entendeu que seu casulo  de libélula em metamorfose
Pode ser maior que o mundo quando está feliz
E infinitamente pequeno quando sente solidão
Nas emoções que sinto depois que cresci

A menina quer suas bonecas, seus sonhos
Os brinquedos feitos de fantasia
Pra ali ficar  livre e inocente até dormir
No velho quanto da infância
Segura e protegida
Dentro de mim.


Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 05/08/2011
Enviado por Nina Costa, no Recanto das Letras, em 06/08/2011
Código do texto: T3143229

TEMORES





















A chuva copiosa molha a vidraça
E os meus pensamentos todos, embaça
Não sei se visto rosa, ou uma camisa de força
Se encharco com a chuva e espero que me torça
Se aguardo a  minha vez ou venço a timidez
Se conto até três ou e deixo que me dês mais atenção...

Enfim, o jardim molhado me convida
Assim, sem querer uma despedida:
_ Deite sobre o verde de meu lençol
Cante em minhas flores como o rouxinol
À espera do sol depois da chuva.
Delicie-se com o sabor de minhas uvas
Nos arredores do sacrário matinal...

Sou estátua de sal vestida de temores
Não sei ser feliz, não canto em flores
Não gasto meu latim com falsos pudores
Só quero que a chuva passe
E não embace mais meu coração.

  Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 06/08/2011
  No Recanto das Letras,
  Código do texto: T3142654

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ELEIÇÃO

Elejo você dono do meu amor
Para gerir meus sentimentos e paixão
Administras minhas emoções e frenesis
Zelar pelo patrimônio de  meu coração
Realizar as obras que meu corpo precisa
Recolher  os impostos  de minha alma enamorada
Prestar contas toda noite em meu aconchego
Sem um tempo estipulado pra final de  mandato
Dou-lhe  livres poderes sobre a minha  pele
Mas se corrupto, desviar de mim o seu amor
Se sonegar os impostos dos meus desejos
E achar que está imune à lei da responsabilidade
Denuncio  meu ciúme ao ministério público
Faço  greve, faço um levante
Declaro seu  impeachment sobre o meu corpo
Não fico `a mercê de seus desmandos não
Realizo outra eleição...
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 03/08/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 03/08/2011
Alterado em 03/08/2011
Código do texto: T3137701

sábado, 30 de julho de 2011

NAO TIVESSE EU...


Já dizia o poeta:
“Filhos, melhor não tê-los
Mas se não tê-los, como sabê-los”
Há grande verdade nas palavras do poeta...
Não tivesse eu os meus...
Não saberia da alegria
De ter sido mãe um dia e trazer dentro do ventre
A semente da esperança, na promessa da criança
Que de mim então nasceria.
Não tivesse eu os meus...
Não experimentaria
O medo de perder seus sorrisos
De um dia não mais serem precisos
Meus desvelos maternais.
Não tivesse eu os meus...
Não saberia como é lindo
Dar de mamar ao ceio
Cuidar com amor o rebento

Ensinar os primeiros passos

E ouvir dos lábios sorrindo
A doce palavra: MÃE
Vê-los crescer saudáveis e fortes
Formando no belo porte
Os homens de quem me orgulho
Meus sempiternos meninos.
Não tivesse eu os meus...
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 30/07/2011

Enviado por Nina Costa em 31/07/2011
Código do texto: T3129680     
  

COMO NASCE O POETA?

Poeta já nasce feito

Na alma plena do menino
E a escola vai dando jeito
De mostrar que existe estilo
Pra forjar em seu poema
As nuances da criação.

Em ritmo e dança, vai o poeta criança
Pelas ruas curvas dos versos
Nada solto  branco e livre
No incerto lago das rimas
Cata flores em anjambreman
Nos jardins da ilusão
Para dar à menina amada
Sua doce  namorada
Na face oculta da lua.

Menino brinca de licença poética
Se estica, se encurta, se “afigura”
Pra caber dentro da métrica
Se esconder atrás da noite
Brincando de ser o sol na fenda do horizonte
Menino desperta o dia com a sua alegria
Independente da idade, dos sonhos que o remonte
O poeta é o menino sem segredo
As palavras, seu brinquedo
No playground da poesia.
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa,30/07/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 31/07/2011
Código do texto: T3129678       

ANTES QUE... "SOU”

Antes que você me deporte

Pro lado negro de seu cérebro
E me jogue no sótão do esquecimento
Sou galho  em sua janela a arranhar o vidro da memória

Antes que me quebre qual cristal de nossas eras
E destrua  todas as  antigas  quimeras
E  espalhe as partículas pelo chão
Sou  pedra bruta a ferir os pés de descalços da ilusão
Não me esmague... Não me espalhe
Não me chute noutra direção.

Sou a página adulterada  do livro de sua história
Não me rasure... Não me apague... Não me rasgue
Não me amasse e jogue na lixeira de seus horizontes.

Sou selo dos seus desejos colado  na fronte
Sou seu inferno Astral
Seu bem e seu mal, gravada nos genes de seus cromossomos.

Antes que me esqueça atrás do espelho
E o vazio de minha imagem não faça seu reflexo
Tatuo  meu  em braile nome em seu sexo
Pra lhe mostrar que  mesmo  sem nexo, ainda somos
Não me esfole...Não me escame
Não me apague com suas digitais
Leia-me, releia-me e me queira mais
Em outras  e novas edições...
Irene Cristina dos Santos costa – Nina Costa, 30/07/2011
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 31/07/2011
Alterado em 31/07/2011
Código do texto: T3129674       

VOOS DO CORAÇÃO


O coração quando cria asas
Muda de casa
Muda de ninho
Não quer ser sozinho
O coração quando cria asas
Quer outros leitos
Em outros peitos
Outras paixões
Novas emoções
O coração quando cria asas
E voa e voa e voa
Até que encontra o regaço
No colo da alma gêmea
E o coração
Descansa as asas
E ali planta seu poema
Sementes amor perfeito
No solo fértil da vida...
Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 30/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 30/07/2011
Código do texto: T3128053

INCOERÊNCIA POÉTICA

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
................................."
(Fernando Pessoa)

Sentir saudades de amores que não viveu
Dos doces beijos que não deu
Dos fortes laços que não criou
Com sequer conheceu...
Rir de fatos  que a bem  de toda verdade
O faz somente pra  alguém sorrir
Entrar em prantos e desencantos
Escrever amarguras com o mel na boca
Fugir pra lua com os pés no chão num  flesh de insanidade
Resplender  sentimentos que não sentiu
De emoções que não vibrou
De sonhos vários que não intuiu
Das muitas dores que entre horrores
Nem  pressentiu...
E assim, grande  fingidor
Pobre poeta, à duras penas
Na incoerência faz seus poemas
E submerso  à pele em flor
Tatua versos feito magia...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa,29/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 29/07/2011
Alterado em 29/07/2011
Código do texto: T3126258

PAPO DE BROTHER

Qual, meu irmão?
Qual é, meu  mano?
A vida tá  difícil?
Tá entrando numas?
Me dá a mão...
Juntos de boa,  damos um “playsão”
Não tá com nada
Parar na estrada
No meio do caminho
Ou tentar sozinho
Que não dá não.
Tô junto nessa
É bom à beça poder contar
Co’alguém por perto
Nessas incertas que a viva dá.
Tô na parada!
Direto e reto pra te ajudar
Papo de brother...
Se liga nessa,  ... Morri na cruz
Pra te salvar.
(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 29/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 29/07/2011
Alterado em 29/07/2011
Código do texto: T3125701

ALONE

Todas as vezes
Em que eu me inflamo
E entre gemidos e sussurros
Alucinada, lhe chamo
E esse sofrer latente e pulsante
Diz que ainda lhe  amo
Eu choro a ausência de você
E eu sinto
No peito assim dormente
Não há dor, não há morte
Só abandono...
(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 28/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 28/07/2011
Código do texto: T3124132

INCONSTANCIA

Dias
Rotina
Constância
Pelas manhãs
Abrem-se as janelas
O sul aquece os quartos
O cheiro da terra penetra as narinas
As crianças  alvoroçadas correm pelos prados
Aos ouvidos, o silvo dos pássaros  no alarido matinal
O vento assopra a copa das árvores
que se balançam opulentas
A vida  espalhada pela natureza
é  um espetáculo aberto aos sentidos
O leite quente,
o café com gosto de roça,
o pão caseiro,
a mesa posta
e a gente...
Tudo é tão perfeito e segue seu percurso no leito  dessa vivenda,
no seio dessa família.
Só meu coração bate descompassado
Cheio dessa inconstância
Afoito
Não é mais criança
Nem quer rolar mais pelos prados
Quer voar, ganhar paragens
Assim, todo angustiado
Coração quer ir pra longe
Ele está freneticamente louco
Com asas de  apaixonado.
(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 26/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 26/07/2011
Alterado em 27/07/2011
Código do texto: T3120163

LÍNGUA BRASILEIRA

Cantara-te Bilac a beleza
Plantada nos rincões que em nós encerra
O orgulho, ó linda flor de nossa terra
Amada minha, língua portuguesa.

Em que Camões clamou atrás dos montes
Do vértice d’alma  fez-se  o poema
Da escrita retirou hífen e trema
És o  maior primor,  linda e risonte.

Devoto de tua força miscigena
Do branco, negro, índio e outras raças
Prenúncio do esplendor  que em ti extrema

Ó  bruta língua inculta e fagueira
Conclamo a te amarem por tua graça
Tesouro,  és bem maior, és brasileira.
(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 24/07/2011)
Nina Costa
Enviado por Nina Costa em 25/07/2011
Alterado em 30/07/2011
Código do texto: T3116805

sábado, 23 de julho de 2011

O MELHOR DE MIM


Pena que não saibas que te amo tanto...

Te amo, meu amor, muito e amiúde
E o melhor de mim entrego a ti
Despejo em teu cálice, tinto desejo
Sacio tua sede em meu doce beijo
E espero que vejas a amplitude
Do melhor de mim que entrego a ti:

A fragrância de minha carne apaixonada
A penetra em teus sentidos, e entorpecer tua emoção
O sabor de minhas ânsias e saudades
A vasculhar teus mistérios e descobrir as fantasias;
A textura de minha pele a cobiçar a tua
A provocar em ti loucas fissuras de amor sem fim...

Pena que não sabes deste amor que é muito
Muito mais que uma simples emoção
Além da explosão dos cromossomos
No fervilhar dos corpos em lampejos sem razão.

Pena que não sabes meu infinito bem
Que meu amor por ti, é extremo
E vai muito mais além da imaginação...

(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa23, /07/2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O VALOR DAS LETRAS


As velhas mãos calejadas não sabiam sequer segurar o lápis que numa ferrenha luta, feria o papel até rasgá-lo, levando-a por diversas vezes a abandonar o instrumento de luta e desistir no meio da batalha, numa tristeza de quem não teve oportunidades oferecidas pela vida, de frequentar os bancos de escola, de aprender a juntar as letras e formar palavras, frases, textos, sonhos,... ou simplesmente, pousar numa linha pautada o desejado nome escrito de próprio punho.
No silencio gritante de sua tristeza muda, deixava sobre a mesa o papel e o lápis e ia cuidar de seus afazeres domésticos ou sentar-se na poltrona velha coberta de colcha feita de retalhos pra assistir a televisão caixotão de madeira que pra funcionar direito carecia de uns bons tapas.
Esse ritual de tentativas e desistências se repetiam diariamente quando a filha normalista chegava em casa trazendo no peito o profundo desejo de livrar a mãe da mancha roxa no dedo de todas as vezes que esta precisava assinar alguma coisa...e enchia os olhos d’água por ser analfabeta, numa mistura de sentimento de humilhação, impotência e dor... As teorias de alfabetização, as técnicas e procedimentos didáticos, tudo o que aprendia procurava usar com a mãe, seria uma realização alfabetizar alguém tão querido e ver nos traços manuscritos dela a libertação de uma vergonha trazida por tantos anos no silencio daquele coração.
Passava o tempo e os progressos começaram lentamente a aparecer e a mão teimosa e pesada já se permitia a escrita de rabiscos ininteligíveis mas que representavam um progresso magnífico, ... e o coração daquela mãe e da jovem normalista se enchia de prazer e alegria e o pensamento divagava na certeza: “Quero ser alfabetizadora.”
Os olhos da mãe brilhavam na expectativa de escrever o próprio nome e não ter mais que sujar os dedos na agencia bancária todo mês, quando ia receber a pensão. Mas as ironias do destino pregam peças que não se pode prever. A jovem normalista se formou, começou a trabalhar (não como professora das séries iniciais, mas das finais do Ensino fundamental). Foi lecionar longe e quase não tinha mais tempo para ensinar a mãe que aprendia lentamente. Depois veio a doença e a mãe faleceu sem ter aprendido a escrever o nome... sem deixar de manchar de roxo os dedos e a alma.
A jovem enterrou juntamente com a mãe o sonho de ser alfabetizadora, mas a lembrança de sua velha mãe tentando aprender, e o desejo de ver a filha instruída e formada alimentou seu amor pela profissão, seu amor pelas letras. Vinte anos depois a filha encontra-se diante do computador, digitando esse texto, com os olhos marejados de lágrimas e o desejo de prestar uma homenagem à mãe analfabeta que lhe ensinou a valorizar as letras e amar a literatura.
“Lhe amo mãe, eu tentei alfabetizá-la e não consegui, mas com você aprendi a ler nas entrelinhas as lições que a vida me dá...”

(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 14/07/2011)
Publicado no Recanto das Letras em 14/07/2011
Código do texto: T3094080

A TURMA DO FUNIL – PARTE II

A PERSEGUIÇÃO

O senso de justiça é algo muito relativo quando se age não com a razão, mas com a emoção. A imparcialidade não existe quando se está emocionalmente motivado. Alguém pode até perguntar se estou me referindo a algum caso de audiência em algum julgamento ocorrido em minha cidade e que eu tenha observado um feito injusto acontecendo por parcialidade da autoridade competente.
Pois bem, quem pensa assim, equivoca-se profunda e redondamente, pois me refiro a um fato corriqueiro da infância de qualquer menino arteiro com uma turma de irmãos e amigos passionais. Fazia um sol de rachar e um calor tremendo naquela tarde e como sempre, no quintal de casa estavam reunidos papai, mamãe, eu, minhas irmãs Rita, Madalena, Conceição e Mirinha, uma amiga, todos numa conversa folgada, quando Luiz, meu irmão, desce morro abaixo, vindo lá da Mina, correndo entre os pés de café da lavoura do Sr. Gildo, suado, cara de apavorado, neguinho já pálido de medo seguido de dois meninos que o perseguiam com a clara intenção de dar-lhe uma boa sova, sabe-se lá porque.
Eram eles Nilcinho e Mauro (os dois primos que moravam do Alto São Sebastião). Havia uma rixa entre a galerinha do Alto e a do funil, portanto nem precisava de motivos óbvios para a perseguição, porque estava intrínseco no orgulho dos moradores de cada bairro o ímpeto de “gerra” e de sobrepujar o oponente, e a mínima coisa se tornava em grande motivo pra um pega pra capar.
Luiz abaixa-se e passa feito um gato por baixo da cerca, com uma velocidade incrível, mas esquece as costas ao arame farpado que faz um lenho nela, o sangue velho escorrendo vermelho em suas costas negras, e ele na hora nem sente, corre direto para dentro do quintal onde estamos proseando. Nilcinho e Mauro atrás dele, até que se deparam conosco esse reconhecendo-se minoria, disparam, instintivamente, . em fuga na direção oposta.
O curioso é que aquele séquito de mulheres, agora, visivelmente enfurecidas disparou a correria atrás dos dois moleques gritando: “volta aqui”, “vocês não são valentes”, “enfrenta a gente”... claro que os meninos não voltaram, antes, sumiram como vento na correria desembestada... e a mulherada tentando alcançá-los, foi até enquanto deu, não alcançando (pudera, não é!), voltou atrás rindo-se dos meninos apavorados.
E o mais interessante ainda desse ocorrido é que, ao retornarem para a sombra da mangueira do quintal de minha casa, continuaram a prosa solta como se nada tivesse acontecido, todos rindo, brincando se divertindo... Disso tudo só o Luiz ficou com o rasgo nas costas que a cicatriz remanescente não deixa esquece... e dizem as más línguas das vizinhas faladeiras, que Nilcinho e Mauro estão correndo apavorados até hoje. A única coisa que ninguém procurou saber de fato, foi o motivo porque eles tentaram bater no Luiz.

(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 14/07/2011)
Publicado no Recanto das Letras em 14/07/2011
Código do texto: T3094063

domingo, 10 de julho de 2011

AMOR INDICATIVO


Na certeza que me amas
Eu te amo, meu bem
Tu me amas na certeza
Que eu te amo também...

Esse amor que é em nós,
Pura concretude,
Nessa entrega, ele vai muito mais além
Do que a pele, do que a carne, do que o medo
Podem impor ao desejo e ao segredo
À vontade de se dar a outro alguém...

Eu te quero e tu me queres sem receio
Somos plenos nesse amor,
Que é só virtude
Somos plenos nesse amor,
Que é só querer.

Longe ou perto, esse amor é plenitude
Faz de ti, eternamente, meu homem
Eu para sempre ser tua mulher.
Na simbiose de criaturas que se amem
Reunidas n’um só corpo e um só ser...



(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 2000)

Obs.: Este poema faz parte de uma trilogia de textos (AMOR INDICATIVO, AMOR IMPERATIVO e AMOR SUBJUNTIVO). Gostaria que se possível, lessem os outros...
Nina Costa
Publicado no Recanto das Letras em 11/07/2011
Código do texto: T3087634

sábado, 9 de julho de 2011

AMOR IMPERATIVO


Te ordeno:

Beija-me como abelha na flor de açucena
Faz-me tua canção e mais lindo poema

Ama-me sem medida e sem receio
Queira-me em tua vida o tempo inteiro

Faça-me tua razão, teu pensamento
Tua emoção e até o teu tormento...

Mas ama-me porque me amar é teu destino
Tua verdade, mesmo em meio aos desatinos

Convença-te que me querer é tua vontade plena
Sê louco por mim ao extremo de seu verso e trema

Porque me amar é o que te ordeno sim
Pra eu vê-lo implorar um pouco mais de mim...

(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, escrito em 2000)
Nina Costa
Publicado no Recanto das Letras em 10/07/2011
Código do texto: T3085972

AMOR SUBJUNTIVO




E daí
Se não sei seu nome
Se não anotei seu telefone
Se não tenho seu endereço
Se não conheço os seus pais
Ou não descobri a história de sua família...
Eu sei
Que sentir seu carinho é bom
Que provar seu abraço é forte
Que viver seu beijo é envolvente
Que ouvir sua voz me faz flutuar
E que absorver seu perfume me enlouquece
E então
Quando vir você de novo
Quanto estiver em seus abraços
Quando beber seus beijos doces
Quando flutuar nas nuvens ao som de sua voz
Quando quiser me despir de minha camisa de força por amor a seus Vênus
Vou anotar em um bilhetinho apenas isso:
Ps.:Te amo 100 Kompromisso...
Ass.: Tua pekena!!!

(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, escrito em 2000)
Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2011
Código do texto: T3084853

MIMOSO DO SUL














Menina mimosa que se assenta pra brincar entre montes
Teu nome é poema para ouvidos de quem te ama
Inflama o coração daqueles que te conhecem
Com teu primor de pérola sulina
Doce menina vestida de história e tradição
De encantamento e sedução...
Mimosa mulher, entre colinas aninhada em leito
Que na surdina da noite acalenta os sonhos dos que te amam à distancia
Amigos errantes que se perderam de ti
E desejam por tuas curvas veredas ... novamente se enveredar
O veio de suas fontes cristalinas, mulher menina
No calor de teu aconchego, mimosa cidade,
Vibrar de pura e visceral felicidade...
Quem te conhece não esquece
Olhos que se deleitam de tua rústica beleza
De tua natureza, não encontram razões para não te amar
E querer ficar... linda pérola do sul de meu Estado de graça
Mimosa cidade ... Mimoso do Sul...
(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 09/07/2011)

Este poema é uma homenagem à minha cidade tão querida, plantada ao extremo sul do Espírito Santo, entre montanhas e colinas...
Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2011
Código do texto: T3084579

quinta-feira, 7 de julho de 2011

AINDA... (...) QUE...


















Ainda que eu não saiba o porquê meu próximo ser como é,
Que eu que saiba amar sem questionar seus motivos.

Ainda que eu não entenda o propósito de todo o sofrimento,
Que eu saiba vencer as dores de cada momento existencial.

Ainda que eu não desfrute de todas as benesses da vida,
Que eu saiba agradecer as vitórias conquistadas com perseverança.

Ainda que o tempo passe sem que eu consiga retê-lo, e não consigo,
Que eu saiba envelhecer com graça de criança e sabedoria quem aprendeu viver.

Ainda que eu não venha realizar tudo o que pretendi pra mim,
Que eu saiba tirar de casa instante, o melhor que puder para ser feliz.

Ainda que eu não tenha explicações para todas as coisas,
Que eu saiba explicar a simplicidade de apenas ser quem sou:

Nas pequenas conquistas do dia a dia,
Nas relações cultivadas com amor,
Nas sementes de amizades plantadas coração dos que me acercam,
Nas palavras que não calei e tentei proferi nos momento certo,
Nos legados que deixarei aos que vierem após mim...

Assim, ainda que eu não pense todas as coisas do mundo...
Penso, logo existo, e minha existência ficará marcada sobre a terra como quem,
Entre muitas guerras tentou oferecer uma flor - uma rosa de Saron...

Ainda... (...) Que...


(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 07/07/2011)


Nina Costa
Publicado no Recanto das Letras em 07/07/2011
Código do texto: T3080454

AS FACES DE EVA

AS FACES DE EVA
Ser mulher dentro da mulher que preciso ser é ao mesmo tempo apresentar uma em múltiplas faces. Não é fácil lidar com isso, sem desejar um disfarce para aliviar o peso de carregar tantas mulheres dentro de mim. É estranho pensar assim, mas me recordando um filme antigo que vi há muito tempo atrás, “As três faces de Eva”. Filme este, inspirado na história real de Chris Costner Sizemore, uma pacata dona de casa, depressiva, que possui 3 personalidades completamente diferentes dentro de si, e que ao longo dos anos revelou outras tantas.
Em 1957, no filme, esta personagem é Eve White, que ao ser levada pelo esposo ao psiquiatra, tem o diagnóstico de trazer dentro de si a existência de outros álteres (outras duas personalidades distintas, Eve Black e Jane). Trata-se, de um distúrbio pouco conhecido na época, chamado Distúrbio de Personalidade Múltipla, hoje conhecido como DDI – Distúrbio de Dissociação de Identidade.
Depois desse rápido mergulho histórico que Titio Google me proporcionou como alicerce às minhas lembranças, volto às implicações adjacentes que a narrativa me permite.
Embora o filme enfoque o caso de um distúrbio mental, eu, fazendo um gancho na realidade estressante que a vida moderna tem nos imposto, obrigando-nos a assumir papéis diferentes e diversos (de mãe de seus rebentos que precisam de sua plena atenção, esposa/dona de casa dedicada do marido que não abre mão de seus zelos domésticos; da profissional competente que não pode errar, pois se erra é porque é mulher; da esposa/amante, que tem que estar bonita, sexi, perfumada e bem disposta, porque se assim não for, o marido vai buscar outra que a substitua;...).
Ser mulher é portanto, nos multiplicar em várias e nos esforçar para ser total em cada uma delas, porque os filhos, o patrão, o esposo/amante, nós mesmas nos queremos por inteiras e a disputa das “Evas” existente dentro de nós é desgastante. E, querendo ou não, na realidade, uma sempre vai deixar a desejar e as cobranças da sociedade, da família, de nós mesmas são uma inevitável conseqüência.

Só que ninguém é perfeito, e a Diana, a “Mulher maravilha”, só existe nos desenhos da Marvel. E mais, se nem mesmo a primeira Eva da história da humanidade foi perfeita, por que nós, as modernas deveríamos ser? Ainda dizem as teorias pagãs, que antes de criar a Eva edênica da costela de Adão, Deus havia criado outra mulher do mesmo pó da terra que havia feito seu parceiro, esta se chamava Lílith. Porém ela causara tantos problemas que foi banida do Éden.
Vendo o homem só e infeliz, Deus se compadeceu e voltou a criar, mas não do pó, agora da costela de Adão, para que ela nunca viesse querer ficar acima dele, como Lílith tentou, e nem tampouco ele viesse a tentar colocá-la abaixo de si... e deu-lhe o nome de Eva... e esta ser-lhe-ia por auxiliadora.
Auxiliadora, sim, “A U X I L I A D O R A” ... Quem auxilia não decide, ajuda a decidir; não manda, não faz, compartilha da ação. Pois bem, Eva auxiliou a decisão de Adão em comer o fruto proibido e pagou com a sentença de parir as dores do mundo, e carregar a culpa do pecado original... eis aí o início do dilema da mulher...
Não creio que Deus tenha errado na criação da mulher, e por isso teve que fazer de novo, mas a Lílith do pensamento pagão é uma outra face da Eva que existe em cada uma de nós, a que desejou, ambicionou o fruto proibido e foi sagaz, ousada em convencer o fraco e omisso Adão em segui-la neste feito. A Eva edênica, criada por Deus (auxiliadora) é o equilíbrio, o ego personificado; a Lilith (outra face de Eva) é nosso id, que traz todas as nossas punções ao “pecado”, a carga da libido que nos faz querer ser além do que devemos ser, do que é permitido ser, que nos impulsiona consciente ou não a realizar nossos mais terríveis desejos.
E vem a sociedade (Eva matrona, moral), o superego, e diz: “você não pode”, coloque-se mulher em seu lugar de: mãe, esposa, profissional, filha,... e nesse ínterim, nos vestimos da máscara que a sociedade oferece em cada situação e vão se multiplicando as faces de Eva em nós...
Agora eu pergunto: você é normal? Quantas Evas há dentro de você, mulher?...
(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 07/07/2011)
Nina Costa
Publicado no Recanto das Letras em 07/07/2011
Código do texto: T3080335

terça-feira, 5 de julho de 2011

PREFÁCIO DE UMA SAUDADE


Foram alguns anos convivendo com ele, pela manhã, sentava ao colo e pedia a bênção, beijava vergonhosamente o rosto e ele respondia com um quase sofrido sorriso de um coração já idoso e castigado pela vida:
_ Deus te abençoe, filha!
Eu me arrumava, tomava o café ralinho e doce de minha mãezinha, pedia a benção também e ia pra escola, às seis horas da manhã, com aquela frase de benção fervilhando minha alma de criança. Ritinha e Rosinha eram minhas companheiras, íamos brincando e sorrindo pelas ruas de chão do Funil, até na entrada (ou saída) do Alto, ali já era calçamento de paralelepípedos.
Tia Eubéia era a professora mais linda e a melhor do mundo; minha escola, não tinha outra que fosse melhor, minhas manhãs eram as mais felizes que alguém poderia ter, mas o melhor de tudo era voltar para casa e encontrar meu pai sentado no toco de pé de coco feito de banco no quintal e ali aos pés daquele velho senhor de negras faces e traços marcados na carne pelo tempo e as lutas, ouvir suas fascinantes histórias e aventuras, seus conselhos e causos...
Lembro de um causo que era sempre motivo de muitos risos entre nós quando papai contava que: uma certa noite saiu pra caçar e era quaresma. Segundo antigas crendices, nesse período, é proibido caçar, a mata afugenta os mais exímios caçadores. Mas meu pai esqueceu disso e foi caçar levando a cachorrada com ele. De repente, no escuro da mata, ouviu um assovio e os cachorros seguiram o barulho, porém assustados e chorando do jeito que cachorro chora quando tem medo... meu pai foi atrás, ouviu de novo, agora no fundo de um buraco que parecia ser de tatu, e a cachorrada oiriçada latindo e chorando em volta do buraco, arranhando o chão e deitando com as orelhas baixas e o rabinho entre as pernas.
Sem entender o “porquê” da cachorrada boa de caça agir daquele jeito, papai espia dentro do buraco e de lá do fundo ouve mais um assovio, e um jato de terra enche seu olho curioso e um vulto preto sai do oco do buraco num vento de arrepiar os cabelos do nego velho. Era um saci...
Papai não ficou para as apresentações, saiu correndo sem olhar para trás e a cachorrada medrosa junto. Chegou em casa com a cara suja de terra, o coração na mão e o embornal vazio. Mamãe pergunta pela caça e ele diz:
_ Que nada de caça, Téta, minha capivara veia! Eu achei foi um saci, ... mas ocê num queria que eu trouxesse o raio do muleque treteiro pra casa né, mulé?!!!
Esse e outros causos ele contava rodeado da filharada sentado no toco de coco feito de banco na sombra da mangueira de nosso quintal de chão batido... lembrar dessas coisas numa lembrança doce faz-me sentir de novo a presença de papai e de mamãe, ...o cuidado e o amor de meus velhos pais são o prefácio de uma saudade gostosa que perdura pra sempre em mim...



(Irene Cristina dos Santos Costa – Nina Costa, 05/07/2011)
Publicado no Recanto das Letras em 05/07/2011
Código do texto: T3076193

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CARTA PARA FREUD.

Caro amigo Freud,

Quem lhe disse que tenho mecanismos de defesa? Que meu ego se resguarda e que tem medo?

Ando indefesa e sem nexo, com mecanismos velhos e falhos. Ainda que o sexo seja pungente sobre minha libido, não é em volta de meu umbigo que circula o mundo, nem meus conflitos de criança são de todo assim oblíquos.
Portanto, não venha me dizer que sou egocêntrica, minha essência de Electra jaz adormecida no oceano remoto do subconsciente. Já aprendi a camuflar minha inconstância na retórica de meu discurso, e a desviar minhas punções em versos e poesias, ... pouco me importando se quem leia me entenda bem... Amigo Freud, não escrevo para que me entendam, mas para extravasar, e às vezes meus versos cortam e ferem feito punhal; ardem na ferida feito sal,... mas também em outras circunstancias, eles podem até emocionar e cativar alguém.
Acontece é que guardei alguns de meus monstros antigos e sagrados embaixo da cama, e à noite, eles vêm perturbar meu sono e, nesse desassossego, é impossível dormir e sonhar, sonhar aqueles sonhos fantásticos que satisfazem o id cheio de perversões e fantasias,... a insônia tem sido, assim, minha constante companhia.
Tome mão de seu bloquinho de anotações, avalie meu caso e veja se estou certa, ainda que nas horas mais incertas, o superego tente afugentar minha sanidade em favor do senso coletivo, estou precisando me equilibrar, não quero comprimidos para ansiedade, não quero fazer Yoga pra me harmonizar. Preciso urgentemente rever meus complexos, resolver meus conflitos nesse seu divã, mas se não for o caso, deixe-me apenas dormir um pouco nele até amanhã...
Freud, explica? Não,... complica!!!





(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 04/07/2011)

Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2011
Código do texto: T3073933

ESPERANÇA

Não era mais
que um raiozinho efêmero de luz
Não era mais
que uma promessa que a retórica produz

Era um ponto verde de novidade a acalentar meu ser
Um estreito elo entre a vontade plena e o plácido querer
Um fiozinho dourado de sol na manhã sombria e nebulosa
Uma partícula profusa de ilusão dentro da alma caudalosa

Uma gotinha de orvalho na pétala rosada de meu coração
Uma perene fonte de onde submerge a contígua emoção
Alimentava de sonhos uma vida quase taciturna e triste
Uma semente de ilusão regada na inconstancia que existe

Algo sublime que crescia e vibrava sem saber nem porque...

(Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 03/07/2011)

Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2011
Código do texto: T3072973